23 April 2010

ARTIGO DE HOJE

ARTIGO


DIRETO AO ASSUNTO



                                         MANIA DE ACHINCALHE

Esta semana, apesar da variedade enorme de programas de rádio matinais – todos embolados no horário das 7h. – observei a lamentável permanência de um vezo bem amapaense: a mania do achincalhe. Por aqui, só tem valor quem vem de fora. Quem chega contratado, para faturar em consultorias, trabalhar em marketing político ou prestar serviços, quase sempre não bem explicados, aos poderes públicos. Esses, os amapaenses valorizam logo. Abrem as portas, jogam incenso, endeusam e defendem.

Contudo, na grande maioria dos casos, muitos “alienígenas de ocasião”, que vêem o Amapá como uma terra ótima para ganhar dinheiro rápido, enchem os bolsos, fazem fortuna, não esquecem das farras na Fazendinha e arredores e, belo dia, somem daqui. Regressam aos seus Estados de origem, onde – às gargalhadas e em meio a zombarias – desfilam idiotices sobre o Amapá e os amapaenses. No Rio de Janeiro, onde residi e trabalhei quase 20 anos, cansei de ouvir besteirol sobre o Amapá. Lá, também conheci pessoas que estiveram por aqui, namoraram, deixaram filhos ilegítimos – e falavam o diabo de determinadas mulheres desta terra.

A vítima mais recente da mania de achincalhe, foi nada menos que Evandro Costa Gama, ex-integrante da Advocacia Geral da União, ex-assessor do Gabinete Civil da presidência da República, ex-procurador da Fazenda Nacional em São Paulo e ex-superintendente do Incra/Ap. Na AGU, ele era a segunda pessoa na hierarquia e tinha o status de ministro. Mas, quem é ele? Um amapaense, um jovem de família humilde, estudante oriundo da escola pública. Alguém que não teve berço de ouro e se destacou pelo seu próprio esforço.

Um radialista, aliás, novato no mètier, classificou Evandro Gama de “pára-quedista”, num infeliz e inoportuno comentário. Perdeu excelente chance de ficar calado. E ler mais sobre a história e a trajetória pessoal de muitos amapaenses de qualidade, pessoas de caráter forjado na luta e nos sacrifícios da vida, que souberam aproveitar as felizes oportunidades que tiveram e que, justamente no momento em que regressam à sua terra, são recebidas dessa maneira.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não recebi e nem pedi a Evandro Gama, procuração para defendê-lo, publicamente. Atenho-me ao direito que ele tem de ser amapaense, ter galgado ilustres posições, técnicas, políticas e administrativas em sua vida e, finalmente, de colocar toda a experiência adquirida à disposição de sua terra e dos seus conterrâneos.

Enquanto, por aqui, continuarem a cultivar essa hipocrisia de botequim, que a nada leva, insistindo em classificar as pessoas segundo o figurino das conveniências políticas, mais em moda, numa espécie de xenofobia às avessas, não se poderá dizer que o Estado do Amapá, por essas e outras razões, é um lugar civilizado.

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