23 April 2010

ASSUNTO PARA MEDITAÇÃO

EDITORIAL TRIBUNA AMAPAENSE
(23/04/10)

                                                      FINAL DE FESTA

O país vive a realidade de um final de governo. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveita os últimos meses de mandato e percorre o mundo, buscando agendar novos parceiros e encontrar saídas para os impasses da sócio-economia brasileira.

No plano interno, pelo menos naquilo que mais de perto nos interessa, permanecem irresolvidas algumas graves questões. Uma delas, provavelmente a mais evidente – pelo seu caráter de urgência – é a continuação da equivocada política agrária, via o fortalecimento do famoso Movimento dos Sem-Terra. Fortalecimento chancelado pelo próprio presidente Lula que, numa cerimônia oficial e em presença de dezenas de embaixadores estrangeiros – no segundo ano do seu primeiro governo – colocou na cabeça o boné do MST. Nem se precisa adivinhar o mal-estar e os sorrisos amarelos que se seguiram à esse gesto, demagógico, oportunista e descabido.

Daí em diante, o MST recobrou o fôlego e foi robustecido pela verdadeira cascata de verbas públicas, a fundo perdido, conseguidas graças às políticas dúbias do PT e do governo federal. O resultado, aí está: apesar das constantes pauladas da Justiça e da vigilância do Ministério Público Federal, setenciando a bagunça generalizada das ocupações, o MST permanece o mesmo de sempre.

Faz pouco, no vizinho Estado do Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT), viu-se às voltas com os métodos de guerrilha do MST, ocupando terras e fazendas produtivas. Foi preciso que o Ministério Público e alguns juízes de melhor tutano obrigassem a governadora a agir, principalmente no quesito da reitegração de posse de várias fazendas invadidas e depredadas pelos Sem-Terra. .

Em Brasília, ela tentou negociar uma saída para o problema, mas recebeu o que os demais governadores receberam nos dois mandatos de Lula: a indiferença e um lavar de mãos, como Pilatos, sem que ninguém tenha mexido e muito menos tentado barrar as onerosas e, por que não dizer?, criminosas ações do MST.

O que mais preocupa, é saber que as sistemáticas invasões de propriedades privadas, devem continuar acontecendo. No planejamento inicial da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula à sucessão presidencial, nada consta sobre o assunto MST, vespeiro que ninguém tem a coragem suficiente de enquadrar, de uma vez por todas, nas malhas da lei.

Não há dúvida de que há direito legítimo na pretensão de um cidadão brasileiro a querer produzir, sobreviver e realizar-se de algum modo, num pedaço de terra. Isso é indiscutível. Contudo, o que se questiona, é essa carga terrível de ilusão pseudo socialista, descarregada sobre milhares de trabalhadores e campesinos, desempregados, miseráveis e desinformados, por líderes interesseiros, arautos do quanto pior, melhor. O problema agrário do Brasil, jamais terá encaminhamento, definitivo e eficaz, enquanto o governo federal, ou seja qual for o presidente, preferir apostar na hipócrita política de entidades tipo o MST. Lamentável.

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