26 April 2010

O TORPEDO DO SENADOR PAPALÉO

                     
                            A GUERRA COMEÇOU

              Se alguém pensava que tudo ficaria morno, logo que o governador Pedro Paulo Dias de Carvalho assumisse o poder, enganou-se redondamente. Aristóteles, in "A Política", refere uma frase que considero do tamanho dessa crise meia-sola que instalou-se no Amapá: Tudo é velho.
              Vejamos os cenários: Waldez Góes, por razões óbvias, não possui mais a caneta, nem o Diário Oficial. Aliás, não sei se por pura demagogia, essa semana foi visto dirigindo o próprio carro. Saiu do poder e veio para o outro lado do balcão, onde estamos todos nós.
               Quanto ao novo governador, também por razões que só os áulicos de copa e cozinha conhecem, tomou o bastão do Estado, mas não disse, não tugiu, nem mugiu, quanto às reais condições do contencioso que recebeu. Herança maldita, dizem alguns na Assembléia Legislativa.
                Mas, sempre escrevo por aí que nem tudo é perfeito. O mundo, segundo a Bíblia dos cristãos, teria sido feito em nada menos que sete dias. Depois disso, Deus olhou a sua obra, gostou e resolveu descansar - que ninguém, nem Deus, é mesmo de ferro.
                 Porém, Waldez é pré-candidato ao Senado. Como tal, precisa de apoios, não só no PDT - que comanda - mas igualmente fora dele. Os pequenos partidos estão à disposição, cada qual querendo seu lugar à mesa do café, do almoço e, se possível, do jantar, tudo pago às custas dos contribuintes, é claro.
                 Assim estamos, ou estávamos, até que, sábado passado, um fato novo veio somar-se ao mingau da política amapaense. O distinto senador Papaléo Paes (PSDB), numa entrevista exclusiva concedida ao programa televisivo "Câmera Livre", sob o comando do jornalista Luiz Trindade, na Rede Band, resolveu arrumar as cartas na mesa desse jogo.
                 Para não ir longe, devido ao adiantado da hora, o senador Papaléo refrescou a memória dos telespectadores, sobre o que foi, quem fez, quem estava lá e quem ficou ausente, naquele primeiro grande acordo político - entre lideranças amapaenses - para eleger Waldez Góes, governador do Estado.
                  O convescote, serviu também para balizar, desde logo, quais seriam as regras do jogo na próxima eleição municipal: essa que elegeu prefeito de Macapá o então deputado estadual Roberto Góes. O outro acordo, fechado à base de mãos apertadas e brindes em taças de cristal, deixava claro que o sucessor de Waldez Góes, a partir dali e para todos os efeitos, seria o deputado presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB). Tudo certo? Nenhuma dúvida? Não, o caldo quente dessa famosa reunião, durou pouco.
                 O médico Pedro Paulo Dias, à época vice-governador, tomou o freio nos dentes, menos de seis meses após. Declarou-se pré-candidato ao governo do Estado, encostando Waldez Góes na parede. O deputado Jorge Amanajás, sentindo-se acuado, protestou e exigiu o cumprimento do acordo e da palavra que todos tinham dado. Falou para o vazio. Ninguém ligou pra ele e a crise começou a ferver, entrando final da gestão Waldez a dentro. Todos passaram a puxar cada qual a sua corda. O diálogo passou a ser de surdos.
                 Agora, o senador Papaléo Paes, avaliando o panorama geral da política amapaense, recusou-se a fazer parte dessa farsa. Se romperam o acordo, problema deles. Quem tiver suas culpas, que venha a público, prestar contas ao eleitorado.
                  Fosse pouco, Papaléo Paes detonou outro torpedo, algo que caiu nos meios políticos como um banho de água gelada: confirmou que seu vice na chapa majoritária para o Senado, será o empresário e homem de televisão, Josiel Alcolumbre (TV BAND).
                  Foi um deus-nos-acuda de reuniões, telefonemas, especulações na mídia e corre-corre entre os personagens daquele acordo que, à essa altura do campeonato, revelou a face de algumas lideranças políticas locais - para não dizer fez cair a máscara de um acordo recheado de traições e mentiras, cujo teor de cabotinice faria corar o próprio Maquiavel.                 
 

1 comment:

luistrindad said...

"Tudo a custa do contribuinte" é simplesmente fantastico...rsrsrsrsr. O problema agora é administrar a ansiedade do patrão. Aqui prá nós, ele como primeiro suplente foi uma tacada de mestre que colocou em cheque todas as possiveis chapas que serão formadas para o senador. Veja bem, agora os ditos analistas têm que levar em consideração; os votos de Davi Alcolumbre, Roberto Góes, Jorge Amanajas e uma pega de deputados estaduais e vereadores....o nome disso é congresso na certa...quer dizer, senado da república.....rsrsrsr