28 April 2010

HOMENAGEM PARA DONA RAIMUNDA JUAREZ

          Bomfim,


Considera esse pedido pessoal e divulga por favor.

Trata-se do aniversário de minha mãe, Raimunda Juarez que completa 82 anos hoje, dia 28 de abril.

Te agradeço.

Rodolfo Juarez.



A ESCADA DA VIDA

Por Rodolfo Juarez

Hoje estou pedindo licença aos leitores dos meus artigos para considerarem o fator afetivo e a minha vontade de compartilhar com todos vocês, a minha alegria e de minha família quando veja minha mãe completar 82 anos de idade.

Meus irmãos, meus filhos, meus netos, meus parentes e eu devemos muito a essa senhora que soube conduzir a educação de 12 filhos em uma situação desvantajosa para uma tarefa tão exigente e sem o apoio de centros que permitissem o acompanhamento, pelo menos da saúde, de cada um dos primeiros filhos que nasceram nesse enigmático interior da Amazônia.

Minha mãe sempre foi a responsável pelo equilíbrio da família, pois meu pai, se incumbia da tarefa de abastecer a cozinha com os alimentos necessários para tanta gente.

Agora, aos 82 anos, dona Raimunda Juarez, continua com a mesma força espiritual e sentimental, muita embora reconheça que a força física já não seja a mesma, mesmo assim, ainda dá mostras de toda a sua capacidade em realizar os serviços que faz durante toda a vida – cuidar, com zelo incrível, da família.

A caminhada já dura 82 anos. Começou no interior do município de Afuá, onde aprendeu a ser partícipe de uma sociedade com características próprias e com exigências muito peculiares, inclusive nos relacionamentos que levariam ao casamento.

Um misto de compreensão e amor que dava consistência a uma relação de cumplicidade, fortificada pela compreensão das dificuldades que os casais enfrentariam no dia a dia.

Os ribeirinhos são assim: fortes, determinados e confiantes nas pessoas e em Deus. Minha mãe continua assim. Não daria para saber de onde vem tanta força, não fossem os exemplos que deixa e as responsabilidades que demonstra.

Grandes decisões sempre fizeram parte da vida de minha mãe (e de meu pai). Houve o momento de estruturar uma condição onde pudéssemos ser recebidos e mimados nos primeiros dias e anos de vida, como também houve o momento em que decidira abandonar tudo o que fora estruturado, para sair atrás da educação dos filhos que já estavam em idade escolar.

Foi assim que saiu do interior do município de Afuá, no Estado do Pará, para vir para a sede do Município, deixando tudo o que conquistara naquele local na busca co sonho de dar condições para os filhos continuarem estudando. Foi assim também, quando saiu da sede do Município de Afuá, para vir morar em Macapá e depois Belém do Pará.

As conquistas são medidas pela formação que tiveram todos os filhos: engenheiros, economistas, administradores, advogados, biblioteconomistas e outras profissões conquistadas a partir da determinação dessa maravilhosa senhora que hoje aniversaria.

Nada disso tornou-a mais ou menos afetuosa, respeitosa, compreensiva ou amorosa. Não mudou. Manteve a sua capacidade de crítica no mesmo nível e a sua inteligência ocupada em desenvolver, conforme a época, orientações adequadas para os filhos que, sempre precisaram de um conselho e de um afago.

Minha mãe tem uma postura incrível, única e inimitável – não sabe falsear os seus sentimentos. Por isso, sofre quando se lembra das perdas na família, especialmente de um filho e do marido. Isso a abala profundamente.

A escada da vida de minha mãe e a própria vida dela, parece a escada do edifício da vida, onde os alicerces foram definidos nos primeiros anos, como uma fortaleza, e deixados para os andares seguintes, as histórias, os refúgios e os sofrimentos.

Cada andar tem a sua história especial. Cada compartimento desse andar da vida, que representa um ano, tem ocorrências inesquecíveis e, em todos esses andares, a marca inigualável de uma mulher forte, muito inteligente, comprometida com a família e justa conforme a definição que tem para justiça na família e na vida.



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