03 June 2010

RESUMOS DE HOJE

      AGENDA GERAL


     (04/06/10)

CENSURA IDIOTA

Bastante incompreensível, hipócrita e idiota, sob todos os aspectos, essa censura feita ao jornal O Estado de S. Paulo. São nada menos que 308 dias, desde que um juiz – parcial, injusto e desinformado - blindou membros da família do senador José Sarney, que não podem ser citados no Estadão. Enquanto isso, o trêfego presidente Lula da Silva, alguns ministros do governo e outras personalidades, menos cotadas, vivem boquejando “as liberdades democráticas no Brasil.” Francamente, não sei à que Brasil eles se referem.

SONO JUDICIÁRIO

Compreende-se que, nesses casos, o Judiciário, ou a justiça, precisam ser provocados. Não podem, por si, ir lá e acabar com a censura a um jornal. Mas, até pelos precedentes históricos – vide o período da ditadura militar e suas draconianas medidas contra as liberdades – o Judiciário, através de seus tribunais superiores, bem que poderia dar um basta nessa situação. Ou se tem liberdade, ou o regime é de fancaria. Ou se respeita a Constituição, ou todos nós não passamos de um bando, fingindo gozar de liberdade, sem nem mesmo saber o que ela significa.

ENSAIO GORADO

O preclaro senador Pedro Simon (PMDB-RS), de fato, já teve melhores dias e também já foi mais respeitado. Ele anunciou, na quarta (2), a candidatura do ex-governador do Paraná, Roberto Requião, à presidência da República. O registro foi feito no diretório nacional da legenda, em chancelar o deputado Michel Temer, vice de Dilma Rousseff, comenta-se que a candidatura de mister Requião é gorada, puro balão de ensaio. Ele quer é ir para o Senado.

ESPERTEZA CRUEL

A bolha de sabão chamada empréstimo consignado, sistema incentivado e garantido pelo governo federal, bateu na bagatela de R$ 118 bilhões. Funcionários públicos, servidores municipais, militares, aposentados e pensionistas, Brasil a fora, vivem pendurados no gargalo dos altos juros – de bancos e financeiras – por terem contraído obrigações que, no mais das vezes, não têm condições de pagar. É uma farra de dinheiro fácil, alimentando a esperteza de grupos e a irresponsabilidade do próprio sistema bancário oficial, via Caixa Econômica e Banco do Brasil. Lamentável.

NOIVA SEM DOTE

A noiva PMDB do Amapá, pelo andar da carroça de jerimuns (expressão às vezes usada pelo senador Gilvam) , parece sem dote. Vejamos: nada deu certo e tudo desandou nas conversas entre PMDB e o PP do governador Pedro Paulo Dias. Depois, a noiva, grinalda e buquê, postou-se, lacrimosa, à porta do PTB, atrás dos possíveis afagos do ex-deputado Lucas Barreto, candidato petebista ao governo do Estado. Deram-lhe água, mas bateram-lhe com a porta na cara. Nada de coligação de cabo a rabo. O ex-deputado Eduardo Seabra (1.806 votos em 2006), fez beicinho e pronto.

QUEM LUCRARIA

Ora, política é a arte do possível. E lá se foi o PMDB, rápido, bater noutra porta. Desta vez, no convescote político desta semana, que ungiu a candidatura do deputado Jorge Amanajás (PSDB) ao governo. Ficando os tucanos de oficializar o casório com o PMDB, o mais rápido possível. Aliás, isso seria bom para ambas as partes: o senador Gilvam e sua troupe de deputados federais e estaduais, garantiria determinadas searas de votos. O deputado Amanajás, o apoio da maquineta do PMDB local. Não desprezível nas circunstâncias.

QUEM PERDERIA

Mas, na vida política, nem tudo são rosas. Os caciques do DEM, à frente o deputado federal David Alcolumbre, chiaram e deram socos na mesa. Há um acordo prévio deles com o PSDB, referente à coligação nas eleições proporcionais (para federal e estadual) e a entrada do PMDB, nessa altura do campeonato, iria transformar os parlamentares do DEM em legítima bucha pra canhão, ou seja, cabos eleitorais de luxo, para “estrelas” peemedebistas, tipo Fátima Pelaes e Jurandil Juarez (federais), Dalto Martins e Francisca Favacho (estaduais). Portanto, o DEM só aceita coligar na majoritária para o governo e Senado. Aqui em baixo, nem pensar.

BRASÍLIA DIXIT

Brasília falou, ou deve falar. Acuado pelas exigências do DEM, o senador Gilvam botou os pés no avião. Destino: Brasília. Tapete: os do gabinete do senador José Sarney, cardeal-mór do PMDB. Até ontem, a bolsa de apostas e de rumores políticos, em Macapá, dava conta de que Sarney não gostou muito da possível composição do PMDB do Amapá com o PSDB. Dilma vai subir em que palanques, por aqui, se o PMDB nacional está casado – de cartório e aliança - com o PT?. Então, se a tentativa de Gilvam não vingar, não se admirem se o vice de Jorge Amanajás sair das fileiras do DEM.

RESUMOS DE HOJE

RESUMOS DE HOJE

04 May 2010

COLUNA DE HOJE EM A GAZETA

       AGENDA GERAL


(04/05/10)

FIM LAMENTÁVEL

O que aconteceu em Santana, onde o prefeito José Antonio Nogueira (PT), foi cassado pelo TRE, é simplesmente lamentável. Mostrando o péssimo exemplo que podem dar os administradores da coisa pública, quando não aprendem a cercar-se de gente capacitada e competente. Agora, informa-se desde a semana passada, deverá assumir o segundo colocado na eleição, justamente o ex-prefeito santanense, Rosemiro Rocha Freires. Enquanto isso, a população daquele município continua pedindo socorro às autoridades, carente que está de tudo.

ESCOLHER BEM

É preciso tomar cuidado. Este ano, temos eleições e uma enxurrada de candidatos estarão soltos por aí. Os eleitores, todos nós, devemos exigir deles mais que simples palavras. Discurso, não enche barriga, conforme diz o ditado. Lógico, não querendo dizer que as pessoas em geral possam continuar pedindo deles isso e aquilo, colaborando para que, ao se elegerem, continuem corruptos e tratando o povo com indiferença. Vamos escolher bem a quem dar o nosso voto. Só assim, é possível melhorar a prática política e o próprio Estado.

PELA TANGENTE

Não caiu muito bem na opinião pública – pelo menos aquela mais informada – ter o Supremo Tribunal Federal lavado as mãos e arquivado, sumariamente, aquela representação pedindo a revisão da Lei da Anistia. O voto do ministro Eros Grau foi decisivo e transferiu-se ao Legislativo a batata quente. O Brasil jamais terá um necessário encontro consigo mesmo, enquanto perdurar sobre nós esse fantasma das torturas, assassinatos e desaparecimento de pessoas, durante o período dos governos militares.

CONVERSA INTERMINÁVEL

Podem escrever: essas rodadas de conversas, entre os próceres do PSDB e do PPSB, findarão em noivado sério. No último final de semana, falava-se pelas esquinas na disposição do deputado presidente da Assembléia, Jorge Amanajás, em trazer para seu lado o apoio de João Alberto Capiberibe. Mas, especula-se também que os tucanos sairão perdendo, porque a possível coligação seria apenas nas eleições proporcionais e não na majoritária. Aqui reside o problema. Pois no PSB, a cantilena aprovada é a reeleição da deputada federal Janete Capiberibe e de seu filho, Camilo Capiberibe, deputado estadual.

PARA O GOVERNADOR

escolhidos para recebê-las são os seguintes: Paraná, Bahia, Ceará, Maranhão, Goiás, Mato Grosso e Pará, que receberá duas unidades. Eu pergunto: que faz a assessoria do governador Pedro Paulo Dias, que não o informa desse fato? Por que duas fábricas de cimento no Pará, quando o Amapá é grandemente dependente desse produto? Hora de agir, mandando os secretários do Planejamento e da Industria e Comércio, urgente, a São Paulo, para avistar-se com o empresário Antonio Ermírio de Moraes.

FIM DA PICADA

Por essa e outras, pode-se afirmar que estamos no fundo do poço. No Amapá, passamos a consumir palitos de dentes fabricados na China. Admirados? É isso mesmo, na China. A empresa importadora chama-se Jaylex – consultoria e comércio exterior e está sediada em Joinville, Santa Catarina. Afinal, não sei aonde iremos chegar. Tanta madeira ao nosso redor, um mercado consumidor garantido e nenhum investidor-empreendedor com a coragem suficiente de fabricar palitos de dentes!

CHAPA FECHADA

A semana iniciou com a dúvida se o PDT do Amapá, conforme se entende de algumas declarações do deputado federal Bala Rocha, sairá nas eleições com uma chapa fechada. Se acontecer isso na majoritária, o partido pode amargar derrotas a curto prazo. Embora pretenda lançar na praça uns trinta candidatos a deputado estadual, nem assim eles estariam tranqüilos. O coeficiente eleitoral é alto (45 mil votos para eleger um deputado federal com o mínimo de 15 mi votos; 15 mil, para um estadual, que precisa conseguir uns 6 mil votos). Esse é o problema. Portanto, quanto mais partidos na canoa, melhor.

GOLPE BAIXO

O empresário Josiel Alcolumbre (Tv Band), estava tranqüilo, tocando sua vida e seus negócios. Nem em colunas sociais aparecia. Foi só anunciar-se que ele será o primeiro suplente na chapa do senador Papaléo Paes (PSDB), para ele virar alvo de certo tipo de colunistas da imprensa local. Frustrados, começam a achar mil defeitos em Josiel. É uma gente sem caráter, traiçoeira, cabotina, que nada constrói de positivo e adora diminuir e avacalhar quem tem valor próprio. Até quando o Amapá vai aturar essas aves agourentas do derrotismo?

28 April 2010

HOMENAGEM PARA DONA RAIMUNDA JUAREZ

          Bomfim,


Considera esse pedido pessoal e divulga por favor.

Trata-se do aniversário de minha mãe, Raimunda Juarez que completa 82 anos hoje, dia 28 de abril.

Te agradeço.

Rodolfo Juarez.



A ESCADA DA VIDA

Por Rodolfo Juarez

Hoje estou pedindo licença aos leitores dos meus artigos para considerarem o fator afetivo e a minha vontade de compartilhar com todos vocês, a minha alegria e de minha família quando veja minha mãe completar 82 anos de idade.

Meus irmãos, meus filhos, meus netos, meus parentes e eu devemos muito a essa senhora que soube conduzir a educação de 12 filhos em uma situação desvantajosa para uma tarefa tão exigente e sem o apoio de centros que permitissem o acompanhamento, pelo menos da saúde, de cada um dos primeiros filhos que nasceram nesse enigmático interior da Amazônia.

Minha mãe sempre foi a responsável pelo equilíbrio da família, pois meu pai, se incumbia da tarefa de abastecer a cozinha com os alimentos necessários para tanta gente.

Agora, aos 82 anos, dona Raimunda Juarez, continua com a mesma força espiritual e sentimental, muita embora reconheça que a força física já não seja a mesma, mesmo assim, ainda dá mostras de toda a sua capacidade em realizar os serviços que faz durante toda a vida – cuidar, com zelo incrível, da família.

A caminhada já dura 82 anos. Começou no interior do município de Afuá, onde aprendeu a ser partícipe de uma sociedade com características próprias e com exigências muito peculiares, inclusive nos relacionamentos que levariam ao casamento.

Um misto de compreensão e amor que dava consistência a uma relação de cumplicidade, fortificada pela compreensão das dificuldades que os casais enfrentariam no dia a dia.

Os ribeirinhos são assim: fortes, determinados e confiantes nas pessoas e em Deus. Minha mãe continua assim. Não daria para saber de onde vem tanta força, não fossem os exemplos que deixa e as responsabilidades que demonstra.

Grandes decisões sempre fizeram parte da vida de minha mãe (e de meu pai). Houve o momento de estruturar uma condição onde pudéssemos ser recebidos e mimados nos primeiros dias e anos de vida, como também houve o momento em que decidira abandonar tudo o que fora estruturado, para sair atrás da educação dos filhos que já estavam em idade escolar.

Foi assim que saiu do interior do município de Afuá, no Estado do Pará, para vir para a sede do Município, deixando tudo o que conquistara naquele local na busca co sonho de dar condições para os filhos continuarem estudando. Foi assim também, quando saiu da sede do Município de Afuá, para vir morar em Macapá e depois Belém do Pará.

As conquistas são medidas pela formação que tiveram todos os filhos: engenheiros, economistas, administradores, advogados, biblioteconomistas e outras profissões conquistadas a partir da determinação dessa maravilhosa senhora que hoje aniversaria.

Nada disso tornou-a mais ou menos afetuosa, respeitosa, compreensiva ou amorosa. Não mudou. Manteve a sua capacidade de crítica no mesmo nível e a sua inteligência ocupada em desenvolver, conforme a época, orientações adequadas para os filhos que, sempre precisaram de um conselho e de um afago.

Minha mãe tem uma postura incrível, única e inimitável – não sabe falsear os seus sentimentos. Por isso, sofre quando se lembra das perdas na família, especialmente de um filho e do marido. Isso a abala profundamente.

A escada da vida de minha mãe e a própria vida dela, parece a escada do edifício da vida, onde os alicerces foram definidos nos primeiros anos, como uma fortaleza, e deixados para os andares seguintes, as histórias, os refúgios e os sofrimentos.

Cada andar tem a sua história especial. Cada compartimento desse andar da vida, que representa um ano, tem ocorrências inesquecíveis e, em todos esses andares, a marca inigualável de uma mulher forte, muito inteligente, comprometida com a família e justa conforme a definição que tem para justiça na família e na vida.



v

26 April 2010

JORGE AMANAJÁS NÃO ESTÁ ISOLADO

  
                                                                                                                                        



                                              QUEDA DE BRAÇO

                                                   Bonfim Salgado





                     O martelo foli batido na mesa da Assembléia Legislativa: o deputado Ricardo Soares (PT do B - 4.226 votos em 2006), será o próximo novo conselheiro do Tribunal de contas do Estado. S. Exa., pode preparar o paletó e, se for o caso, munir-se de alguns estojos de canetas. Daquelas que expelem bastante tinta.

                   Mas, essa indicação do deputado Soares tem outras leituras. Uma delas, provavelmente a mais importante, diz respeito àquela guerrinha política – ora aberta, ora nos bastidores palacianos – que eclodiu entre o então vice-governador do Estado, Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP) e o presidente da Assembléia, Jorge Amanajás (PSDB). Pivô: o rompimento, unilateral e sem nenhum diálogo que prestasse, do grande acordo, entre lideranças políticas, que serviu de lastro para a eleição de Waldez Góes. O tempo passa.

                    Ora, quando ficou claro o nível da traição à palavra enpenhada nesse acordo, houve solerte e muito mal divulgada tentativa de isolar o deputado Jorge Amanajás, declarado pré-candidato ao governo, este ano. O tiro saiu pela culatra. Os “gurus” de Waldez, capitaneados pelo à época secretário especial de Governadoria, Alberto Góes, calcularam mal as coordenadas. Ensaiaram uma queda de braço com a Assembléia, justamente num final de gestão e com o “chefe”, Waldez, precisando realizar alianças e confirmar parceiros em sua caminhada, rumo ao Senado. O resultado da emenda saiu bem pior do que o soneto.

                    Waldez Góes – para aprender de uma vez a cercar-se de gente que saiba, de fato, fazer e planejar política de adultos – teve de engolir a recusa da Assembléia em indicar sua mulher, Marília Góes, para o cargo de conselheira do TCE.

                   Quem saiu perdendo os anéis? O governador Pedro Paulo Dias, que – vendo adensar-se as nuvens no horizonte dessa indicação de Marília Góes, lavou as mãos, como Pilatos.

                   Foram-se os anéis, mas em outubro, podem ir os dedos. Todo cuidado é pouco, porque Roma, dizem, não se fez num dia.

E SE MADAME DALVA FOR A VICE DO PT?

  AGENDA GERAL


(que você pode ler amanhã, terça-feira,

no jornal A Gazeta


QUESTÃO EM ABERTO

Pelo jeito, ficará em aberto uma questão, séria e preocupante, sobre o status quo financeiro do Estado. Traduzindo: o governador Pedro Paulo Dias, sabe-se lá por que razões, deixou de mostrar à população como e em que condições recebeu a máquina estadual. O ex-governador, Waldez Góes, por sua vez, fechou-se em copas e quase nada falou sobre esse delicado assunto. Sabe-se, apenas, que há “papagaios” pendentes, obrigações não cumpridas, repasses não realizados (exemplo da Amprev), verdadeiras bombas de retardo.

DIREITO DE SABER

Não se trata de levantar problemas, nem de ficar aqui, dia e noite, pegando no pé de ninguém. O direito à informação pública – sabe-o toda a gente – é inalienável. Nenhum agente público pode sonegar dados, nem deixar de prestar contas dos seus atos ou desatos. Por isso, não sei por que o governador Pedro Paulo não vem logo à mídia, numa coletiva de imprensa, e explica a situação de uma vez por todas. Garanto que teria a ganhar com isso. Para que, lá na frente e durante a campanha política, esse pepino não lhe seja jogado nas costas.

JUS ESPERNEANDI

Ontem, às primeiras horas da tarde e num programa de rádio, houve uma espécie de jus esperneandi, ou seja, um protesto mais que justo. A ex-primeira dama, Marília Góes, em audível tom de desabafo, investiu contra aquelas vozes – inclusive de dentro do seu partido, o PDT – que acham-se no direito de indicar o que ela deve ou não fazer nessas eleições. Marília, anda rouca de afirmar sua pré-candidatura a deputada federal. Querem demovê-la disso, sugerindo que ela arrisque uma vaga para a Assembléia. Refazendo todo o seu planejamento.

DEFESA DO ESPAÇO

Falar nisso, dentro do PDT do Amapá, de repente, as formigas grandes e pequenas ficaram agitadas. Coloca-se naquele partido, antes de mais nada, a prioridade: eleger Waldez Góes ao Senado. Depois, vem a Câmara dos Deputados, onde o deputado Sebastião Bala Rocha vem fazendo um trabalho dos melhores. Credenciais que ele possui, a fim de reivindicar uma legenda na próxima convenção pedetista. Legítima defesa de espaço. Mas, nem tudo é perfeito. O ex-secretário de Governadoria, Alberto Góes, tido e havido como o homem-forte do governo anterior, também quer ser deputado federal. Se vai conseguir ofuscar Bala no PDT, aí já é outra história.

QUASE SIAMESES

Admira-me ninguém perceber isso. Porém, nesse início da guerra na versão 2010, o PSB, de João Capiberibe, e o PDT, de Waldez Góes, são dois condomínio políticos na mesma situação. Nem um, nem outro, pode dar-se ao luxo de sair sozinho nas eleições majoritárias e nas proporcionais. No PDT, pelo menos já anunciaram isso aos quatro ventos – pode até ser um baita balão de ensaio à colunistas otários – há cerca de 30 candidatos a deputado estadual. A federal, quando muito, eles têm quatro nomes. Ao governo, por enquanto, ninguém. A não ser que mister Waldez resolva vestir calças de homem e, dedo em riste, revele a preferência que guarda no bolsinho do colete: Jorge Amanajás (PSDB).

SANTA TEIMOSIA

O ex-deputado estadual Randolfe Rodrigues (PSOL), um professor universitário, deve saber muito bem que do mato chamado PSB, ele não conseguirá nenhum coelho. Randolfe, passando aquele necessário período de conversas interpartidárias, faz o que deve fazer: ciscar pra dentro. Obter apoios e preparar as alianças, objetivando solidificar sua candidatura ao Senado. O detalhe é que seu nome não é bem-vindo nos arraiais dos Capiberibe. O que não tem impedido Randolfe de ser gentil, devolvendo os resmungos contrários com o convite ao diálogo, franco, aberto e democrático.

JOGO FLORENTINO

Na velha cidade de Florença (Itália), nos albores do Renascimento, praticava-se a política do preferentismo, da hipocrisia e dos compadrios. Quem era amigo e aliado, tinha tudo, quem fosse adversário ou inimigo, recebia veneno na comida e punhaladas na calada da noite. No Amapá de hoje, há lances políticos que lembram Florença. Um deles, é essa rota que o PT (leia-se Dalva Figueiredo), traçou para as negociações em torno do Vice de Pedro Paulo Dias (PP). Há quatro ou cinco nomes na praça, inclusive o preclaro advogado Wagner Gomes. Mas, nada de decisão à respeito.

CAIXINHA DE PANDORA

Como escrevo para pessoas inteligentes, poupem-me explicar quem foi Pandora. Contudo, enquanto as tais alas do PT – evidentemente radicais e induzidas por seus mentores – digladiam-se, discutem e brigam bem antes da convenção decisiva, a moçada não percebe que madame Dalva afia suas garras e pode dar uma cartada de mestre, bem no apagar das luzes: ela mesma ser o nome para compor a Vice no chapão do governador Pedro Paulo Dias. Se isso acontecer, para mim não será supresa alguma. Por que vocês, rapidinho, não raciocinam se eu tenho ou não razão em levantar essa possibilidade?

O TORPEDO DO SENADOR PAPALÉO

                     
                            A GUERRA COMEÇOU

              Se alguém pensava que tudo ficaria morno, logo que o governador Pedro Paulo Dias de Carvalho assumisse o poder, enganou-se redondamente. Aristóteles, in "A Política", refere uma frase que considero do tamanho dessa crise meia-sola que instalou-se no Amapá: Tudo é velho.
              Vejamos os cenários: Waldez Góes, por razões óbvias, não possui mais a caneta, nem o Diário Oficial. Aliás, não sei se por pura demagogia, essa semana foi visto dirigindo o próprio carro. Saiu do poder e veio para o outro lado do balcão, onde estamos todos nós.
               Quanto ao novo governador, também por razões que só os áulicos de copa e cozinha conhecem, tomou o bastão do Estado, mas não disse, não tugiu, nem mugiu, quanto às reais condições do contencioso que recebeu. Herança maldita, dizem alguns na Assembléia Legislativa.
                Mas, sempre escrevo por aí que nem tudo é perfeito. O mundo, segundo a Bíblia dos cristãos, teria sido feito em nada menos que sete dias. Depois disso, Deus olhou a sua obra, gostou e resolveu descansar - que ninguém, nem Deus, é mesmo de ferro.
                 Porém, Waldez é pré-candidato ao Senado. Como tal, precisa de apoios, não só no PDT - que comanda - mas igualmente fora dele. Os pequenos partidos estão à disposição, cada qual querendo seu lugar à mesa do café, do almoço e, se possível, do jantar, tudo pago às custas dos contribuintes, é claro.
                 Assim estamos, ou estávamos, até que, sábado passado, um fato novo veio somar-se ao mingau da política amapaense. O distinto senador Papaléo Paes (PSDB), numa entrevista exclusiva concedida ao programa televisivo "Câmera Livre", sob o comando do jornalista Luiz Trindade, na Rede Band, resolveu arrumar as cartas na mesa desse jogo.
                 Para não ir longe, devido ao adiantado da hora, o senador Papaléo refrescou a memória dos telespectadores, sobre o que foi, quem fez, quem estava lá e quem ficou ausente, naquele primeiro grande acordo político - entre lideranças amapaenses - para eleger Waldez Góes, governador do Estado.
                  O convescote, serviu também para balizar, desde logo, quais seriam as regras do jogo na próxima eleição municipal: essa que elegeu prefeito de Macapá o então deputado estadual Roberto Góes. O outro acordo, fechado à base de mãos apertadas e brindes em taças de cristal, deixava claro que o sucessor de Waldez Góes, a partir dali e para todos os efeitos, seria o deputado presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás (PSDB). Tudo certo? Nenhuma dúvida? Não, o caldo quente dessa famosa reunião, durou pouco.
                 O médico Pedro Paulo Dias, à época vice-governador, tomou o freio nos dentes, menos de seis meses após. Declarou-se pré-candidato ao governo do Estado, encostando Waldez Góes na parede. O deputado Jorge Amanajás, sentindo-se acuado, protestou e exigiu o cumprimento do acordo e da palavra que todos tinham dado. Falou para o vazio. Ninguém ligou pra ele e a crise começou a ferver, entrando final da gestão Waldez a dentro. Todos passaram a puxar cada qual a sua corda. O diálogo passou a ser de surdos.
                 Agora, o senador Papaléo Paes, avaliando o panorama geral da política amapaense, recusou-se a fazer parte dessa farsa. Se romperam o acordo, problema deles. Quem tiver suas culpas, que venha a público, prestar contas ao eleitorado.
                  Fosse pouco, Papaléo Paes detonou outro torpedo, algo que caiu nos meios políticos como um banho de água gelada: confirmou que seu vice na chapa majoritária para o Senado, será o empresário e homem de televisão, Josiel Alcolumbre (TV BAND).
                  Foi um deus-nos-acuda de reuniões, telefonemas, especulações na mídia e corre-corre entre os personagens daquele acordo que, à essa altura do campeonato, revelou a face de algumas lideranças políticas locais - para não dizer fez cair a máscara de um acordo recheado de traições e mentiras, cujo teor de cabotinice faria corar o próprio Maquiavel.                 
 

23 April 2010

POLÍTICA NO AMAPÁ E NO BRASIL

AGENDA GERAL

(23/04/10)


TACADA DE MESTRE
Acaba de ser dada pelo senador Papaléo Paes (PSDB). Ontem, entre fatias de queijo provolone e amenidades, ele entendeu-se, direitinho, com o empresário Josiel Alcolumbre, cacique da Band (TV), no Amapá. Os dois, tudo indica, comporão chapa na eleição majoritária para o Senado. Papaléo, sabedor que precisa acelerar as andanças, atrás de votos – e os contatos no interior do Estado – já pensa em aproveitar esse restinho de abril para viajar bastante. Josiel, que não costuma brincar em serviço, traz o apoio do DEM e será o primeiro suplente.

JOGO DO INTERA
Essa expressão – intera – é usada pelo prefeito de Macapá, Roberto Góes (PDT), e foi referida, ontem, pelo jornalista Carlos Lobato, à propósito dessa camisa-de-sete-varas em que está metido o PSB de Capiberibe. Ora, sabe-se que o ex-senador, seu filho, Camilo, deputado estadual, a mulher, Janete, deputada federal e uns poucos próceres do partido, empenham-se em rodadas e mais rodadas de conversas com todo mundo. O problema é que João Alberto Capiberibe fala e divulga aos incautos que tem garrafas pra vender. Não tem. Se o PSB sair sozinho este ano e não coligar (interar) com alguém de peso, babau. Acaba antes do tempo.

AINDA COMPONDO
Há uma verdade que precisa ser dita e entendida: a gestão Pedro Paulo Dias (PP) – com pouco mais de duas semanas de governo – ainda não começou. Ele está afiando a equipe de primeiro escalão. Traçando a rota que deve e precisa seguir. Os problemas a resolver são muitos. O Estado, no geral, apesar de estar sob controle, necessita de investimentos e de maior ajuda do governo federal. Parcerias efetivas, não conversa mole de PAC 1 e PAC 2. Por isso, não deveria admirar ninguém esse troca-troca inicial de secretários. Coisa mais que normal na administração pública.

ESTÁ NA CARA
Até os gatos vadios da Beira-Rio, sabem disso. No Partido dos Trabalhadores do Amapá, quem casa, batiza, crisma e dá as cartas, chama-se Dalva Figueiredo, deputada federal. Tanto é assim que ficou claríssima a jogada política sobre o possível vice do governador Pedro Paulo Dias: sairá do PT. Sem o que não haverá composição no topo, ou seja, o PT nacional apóia o PT daqui, se essa for a partitura a ser tocada. Sem esquecer que, no meio dessa disputa pela vice – no chapão do PP – de repente, pode surgir no páreo o nome da própria Dalva. Por que não?

BRIGUINHA À VISTA
Olho virado – e vidrado - na cadeira a ser desocupada pelo deputado estadual Ricardo Soares (PT do B), que assumirá no Tribunal de Contas, os senhores Jaime Perez e Haroldo da Alvo, irmanados, garantem que o suplente de Ricardo (Charles Marques), não assumirá. Motivo? O sr. Marques, que era filiado ao PT do B, passou-se com armas, bagagens, cão gato e papagaio para o PSDC. A tese a ser apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral, é a de que Marques incorreu em flagrante infidelidade partidária. Pero sim, pero non, o paletó do bacharel Marques pode ficar no armário.

CARONA DE PAU
Essa é a que tem o deputado Paulo Maluf (PP/SP). Ele condicionou o apoio a candidatura de José Serra (PSDB), à indicação do vice na chapa presidencial. Sabem quem? O senador Francisco Dornelles. Fator que resolveria, em parte, a participação maior na campanha tucana do ex-governador de Minas, Aécio Neves, sobrinho de Dornelles. Alguns colunistas do eixo Rio-São Paulo-Brasília, já caíram de malho no inconfundível Maluf. Esse, de fato, não tem jeito mesmo.

CORRUPTOS TREMEI
O ministro do STF, mister Lewandowski, acaba de remeter um avisinho aos corruptos, compradores de votos e gente dessa laia: no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de onde presidirá as eleições 2010, vai usar de rigidez contra as eventuais – e inevitáveis – patifarias nas campanhas dos distintos. Traduzindo: é bom tomar cuidado. Para não terem que chorar lágrimas amargas, depois. Ele é tido e havido como um dos mais severos ministros dos tribunais superiores do país.

BONECO TEIMOSO
O presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, faz mil articulações e jogadas políticas, a fim de abortar de uma vez por todas a tal pré-candidatura do trêfego Ciro Gomes à presidência da República. Ciro se faz de mouco, acreditando em pesquisas do Ibope e no fato, dizem comentaristas políticos amestrados, que Lula e o PT têm medo dele. Era o que faltava! Lula, naqueles rompantes de ufanismo barato e irresponsável, temer um carreirista desse tipo.
Aliás, quando atualizava este Blog, Ciro Gomes já tinha sido defenestrado, pelo seu próprio partido (PSB), que desembarca com armas e bagagens na candidatura Dilma Rousseff.
Fosse pouco, Ciro disse de Lula as seguintes frases, verdadeiros mimos: "Ele está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República."  "Está navegando na maionese."

ASSUNTO PARA MEDITAÇÃO

EDITORIAL TRIBUNA AMAPAENSE
(23/04/10)

                                                      FINAL DE FESTA

O país vive a realidade de um final de governo. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveita os últimos meses de mandato e percorre o mundo, buscando agendar novos parceiros e encontrar saídas para os impasses da sócio-economia brasileira.

No plano interno, pelo menos naquilo que mais de perto nos interessa, permanecem irresolvidas algumas graves questões. Uma delas, provavelmente a mais evidente – pelo seu caráter de urgência – é a continuação da equivocada política agrária, via o fortalecimento do famoso Movimento dos Sem-Terra. Fortalecimento chancelado pelo próprio presidente Lula que, numa cerimônia oficial e em presença de dezenas de embaixadores estrangeiros – no segundo ano do seu primeiro governo – colocou na cabeça o boné do MST. Nem se precisa adivinhar o mal-estar e os sorrisos amarelos que se seguiram à esse gesto, demagógico, oportunista e descabido.

Daí em diante, o MST recobrou o fôlego e foi robustecido pela verdadeira cascata de verbas públicas, a fundo perdido, conseguidas graças às políticas dúbias do PT e do governo federal. O resultado, aí está: apesar das constantes pauladas da Justiça e da vigilância do Ministério Público Federal, setenciando a bagunça generalizada das ocupações, o MST permanece o mesmo de sempre.

Faz pouco, no vizinho Estado do Pará, a governadora Ana Júlia Carepa (PT), viu-se às voltas com os métodos de guerrilha do MST, ocupando terras e fazendas produtivas. Foi preciso que o Ministério Público e alguns juízes de melhor tutano obrigassem a governadora a agir, principalmente no quesito da reitegração de posse de várias fazendas invadidas e depredadas pelos Sem-Terra. .

Em Brasília, ela tentou negociar uma saída para o problema, mas recebeu o que os demais governadores receberam nos dois mandatos de Lula: a indiferença e um lavar de mãos, como Pilatos, sem que ninguém tenha mexido e muito menos tentado barrar as onerosas e, por que não dizer?, criminosas ações do MST.

O que mais preocupa, é saber que as sistemáticas invasões de propriedades privadas, devem continuar acontecendo. No planejamento inicial da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff, candidata de Lula à sucessão presidencial, nada consta sobre o assunto MST, vespeiro que ninguém tem a coragem suficiente de enquadrar, de uma vez por todas, nas malhas da lei.

Não há dúvida de que há direito legítimo na pretensão de um cidadão brasileiro a querer produzir, sobreviver e realizar-se de algum modo, num pedaço de terra. Isso é indiscutível. Contudo, o que se questiona, é essa carga terrível de ilusão pseudo socialista, descarregada sobre milhares de trabalhadores e campesinos, desempregados, miseráveis e desinformados, por líderes interesseiros, arautos do quanto pior, melhor. O problema agrário do Brasil, jamais terá encaminhamento, definitivo e eficaz, enquanto o governo federal, ou seja qual for o presidente, preferir apostar na hipócrita política de entidades tipo o MST. Lamentável.

ARTIGO DE HOJE

ARTIGO


DIRETO AO ASSUNTO



                                         MANIA DE ACHINCALHE

Esta semana, apesar da variedade enorme de programas de rádio matinais – todos embolados no horário das 7h. – observei a lamentável permanência de um vezo bem amapaense: a mania do achincalhe. Por aqui, só tem valor quem vem de fora. Quem chega contratado, para faturar em consultorias, trabalhar em marketing político ou prestar serviços, quase sempre não bem explicados, aos poderes públicos. Esses, os amapaenses valorizam logo. Abrem as portas, jogam incenso, endeusam e defendem.

Contudo, na grande maioria dos casos, muitos “alienígenas de ocasião”, que vêem o Amapá como uma terra ótima para ganhar dinheiro rápido, enchem os bolsos, fazem fortuna, não esquecem das farras na Fazendinha e arredores e, belo dia, somem daqui. Regressam aos seus Estados de origem, onde – às gargalhadas e em meio a zombarias – desfilam idiotices sobre o Amapá e os amapaenses. No Rio de Janeiro, onde residi e trabalhei quase 20 anos, cansei de ouvir besteirol sobre o Amapá. Lá, também conheci pessoas que estiveram por aqui, namoraram, deixaram filhos ilegítimos – e falavam o diabo de determinadas mulheres desta terra.

A vítima mais recente da mania de achincalhe, foi nada menos que Evandro Costa Gama, ex-integrante da Advocacia Geral da União, ex-assessor do Gabinete Civil da presidência da República, ex-procurador da Fazenda Nacional em São Paulo e ex-superintendente do Incra/Ap. Na AGU, ele era a segunda pessoa na hierarquia e tinha o status de ministro. Mas, quem é ele? Um amapaense, um jovem de família humilde, estudante oriundo da escola pública. Alguém que não teve berço de ouro e se destacou pelo seu próprio esforço.

Um radialista, aliás, novato no mètier, classificou Evandro Gama de “pára-quedista”, num infeliz e inoportuno comentário. Perdeu excelente chance de ficar calado. E ler mais sobre a história e a trajetória pessoal de muitos amapaenses de qualidade, pessoas de caráter forjado na luta e nos sacrifícios da vida, que souberam aproveitar as felizes oportunidades que tiveram e que, justamente no momento em que regressam à sua terra, são recebidas dessa maneira.

Antes de mais nada, quero deixar claro que não recebi e nem pedi a Evandro Gama, procuração para defendê-lo, publicamente. Atenho-me ao direito que ele tem de ser amapaense, ter galgado ilustres posições, técnicas, políticas e administrativas em sua vida e, finalmente, de colocar toda a experiência adquirida à disposição de sua terra e dos seus conterrâneos.

Enquanto, por aqui, continuarem a cultivar essa hipocrisia de botequim, que a nada leva, insistindo em classificar as pessoas segundo o figurino das conveniências políticas, mais em moda, numa espécie de xenofobia às avessas, não se poderá dizer que o Estado do Amapá, por essas e outras razões, é um lugar civilizado.

05 April 2010

AGENDA GERAL

SAMBA DO CRIOULO
Vejamos: ocorreu o previsto. O médico e agora ex-vice-governador, tornou-se, de fato, governador do Estado. As viúvas do poder, em lágrimas, passaram a andar pelos cantos, macambúzias, fugindo das entrevistas no rádio e na Tv. Ora, o mundo, parece, não vai acabar. Pedro Paulo não terá muito tempo para milagres administrativos, nem pretende perde-lo com bobagens. Vai modificar a sistemática de atuação de algumas secretarias? Sim, isso é necessário. No final do governo Waldez, vários integrantes do primeiro escalão, aproveitando o fim de festa, estavam fazendo corpo mole.

DANÇA DO FOGO
Por falar em samba, a partir de ontem, segunda, começou a contagem regressiva e o início de uma verdadeira dança do fogo. O prefeito de Macapá, Roberto Góes, já anunciou solenemente que apóia o deputado presidente da Assembléia, Jorge Amanajás (PSDB), para o governo. Não significando, é claro, que os convênios e acordos prefeitura versus Estado, em andamento, irão sofrer soluções de continuidade. O que foi fechado, continuará. Ficando os dois, governador e prefeito, com a obrigação de atentar para a “guerrinha” surda das respectivas assessorias. Servidores que, na ânsia de servir ao chefe, sempre azucrinam a vida dos eventuais adversários políticos dele. Lembrem-se, meninos, nós estamos no Amapá.

NOIVA DA HORA
Não mais que de repente, eis que sai do caixão de formol o PSB do Amapá. Agora, todo mundo o quer como aliado político. Por que? Bem, existe a possibilidade de haver uma espécie de reunião de opositores na mesma canoa em cujo timão está o ex-senador João Alberto Capiberibe. Ele sabe que o balaio de votos do seu partido – nas duas últimas eleições – não impressiona ninguém. Elegeram a deputada federal Janete Capiberibe (29.547 votos em 2006, 10.3% dos votos válidos). Somam-se também os 5.213 votos do deputado estadual Camilo Capiberibe, exatos 1 73% dos válidos. Fora desses dois, nada que mereça atenção. Exceto, é claro, a eleição da vereadora Cristina Almeida, 4.165 votos, em 2008. O PSB termina por aqui.

NOVAS ADESÕES
Quem pode adeir, nesse caso de haver um convescote geral entre os políticos de oposição? O PMDB – de Sarney e Gilvam Borges – naquela trilha sinistra de sempre ir à reboque dos outros, sem lançar candidatos às eleições majoritárias para o governo – teria mantido conversações com o PSB. Gilvam, que de bobo não tem nada, poderia arriscar uma cartada decisiva: lançar seu nome ao governo do Estado, tendo Camilo Capiberibe, como vice no chapão. A fórmula, que agrada a uns, faz com que outros virem os beiços. Esquecidos que os Capiberibe e os Borges, não faz tempo, já dividiram o mesmo colchão. Porém, se conseguirem a proeza de arregimentar outros partidos, podem dar trabalho e, ajudem-nos a sorte e os fados, até ir ao segundo turno.



FATOR GOVERNO
Agora, só um fantasma assusta a moçada: Pedro Paulo Dias de Carvalho (PP), está no comando estadual, munido da caneta e do inevitável Diário Oficial. Ao que consta, ele não pretende repetir os erros do passado recente, aqueles cometidos pela deputada federal Dalva Figueiredo (PT), quando teve de – na qualidade de vice – substituir o titular do Executivo estadual, João Alberto Capiberibe. Mas, o tempo passa. Ficam apenas as memórias e, aqui e ali, lições a serem aprendidas e, se possível, não repetidas. Afinal, nove meses de gestão, em tudo por tudo e também pela lógica dos fatos, não são suficientes para solidificar nenhuma liderança. Até as obras de maior vulto, sempre levam mais tempo. Portanto, o governador Pedro Paulo, pode seguir aquele velho conselho de Ulysses Guimarães: em política, a gente sempre deve ciscar pra dentro.

ENERGIA RURAL
A única desvantagem desses acomodados da máquina estadual, é que eu costumo escarafunchar interior a dentro. Quase todas as semanas, dou uma voltinha por essas brenhas do Amapá, para ver como estão as coisas. Uma delas, a eletrificação rural, precisa entrar na pauta de prioridades do governo. Pois não há explicação possível para os constantes cortes de energia elétrica, muitas vezes quase um dia inteiro, em localidades a menos de 100 Km. de Macapá. Isso tem causado transtornos às populações interioranas e, principalmente, ao pequeno comércio regional. Mercadorias perecíveis estragam, aparelhos refrigeradores queimam, eletrodomésticos (ferros elétricos e ventiladores), pifam e as pessoas não sabem a quem apelar – ou reclamar.

ATAQUE NERVOSO
Francamente, dá para desconfiar de toda essa propaganda, milionária e ufanista, despejada em cima da candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff. Ela não tem transmitido sensação de segurança alguma, quando se refere aos grandes problemas nacionais. Lê os discursos, preparados pela assessoria, com aquela fidelidade repetitiva dos papagaios. Fosse pouco, continua insistindo nos ataques ao ex-governador José Serra (PSDB), como se ele representasse todos os males brasileiros e os pecados do mundo. Por que ela não revela as cifras bilionárias das “ajudazinhas” do Tesouro, aos banqueiros daqui e aos internacionais? O detalhe é que esse PT que aí está, reza naquela cartilha do faça o que eu digo, não o que eu faço. Ou não?

PARECE PIADA
Nada pessoal, mas esse projeto do Banco do Povo, recém aprovado pelo prefeito Antonio Nogueira (PT), de Santana, assemelha-se à uma piada de mau-gosto. Quem irá capitalizar essa instituição? O bispo da diocese? Será possível que essas “idéias” luminosas só aparecem mesmo em época de eleições? Creio que o distinto prefeito Nogueira, devia – quando menos – cercar-se de gente mais capacitada. Técnicos de alto nível, que não permitissem que ele fosse atirado às feras da imprensa local – e ao ridículo, perante a população santanense.